Imprudência médica: O que é, como identificar e quais são seus direitos

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31/03/2025 17 minutos de leitura
Imprudência médica: O que é, como identificar e quais são seus direitos

Fonte: Pexels

Se você suspeita que foi vítima de imprudência médica, este guia é para você.

Reunimos informações claras e confiáveis sobre como identificar esse tipo de erro médico, entender seus direitos e saber quando buscar ajuda especializada.

O que é imprudência médica e como ela se diferencia da negligência e da imperícia?

A imprudência médica é caracterizada por uma conduta precipitada, sem a cautela exigida pela boa prática da medicina.

Trata-se de uma ação voluntária, mas tomada sem a devida precaução, o que pode causar dano ao paciente. O médico, mesmo capacitado, atua com pressa, ousadia ou desrespeito a protocolos técnicos e éticos — o que pode gerar complicações graves e até a morte do paciente.

Essa forma de falha é diferente da negligência médica e da imperícia médica, embora todas possam configurar erro médico e gerar responsabilidade civil. Veja a seguir como diferenciá-las:

Imprudência médica

É uma ação precipitada ou sem planejamento adequado. Ocorre quando o médico executa um procedimento com excesso de confiança, sem respeitar o tempo necessário ou sem aguardar exames e diagnósticos completos.

Exemplo: iniciar uma cirurgia de emergência sem avaliar todos os sinais clínicos ou ignorar contraindicações expressas no prontuário.

Negligência médica

É uma omissão de cuidados. Acontece quando o profissional deixa de fazer o que seria esperado em sua função, revelando desatenção, descuido ou relaxamento com a segurança do paciente.

Exemplo: não verificar alergias antes da administração de medicamentos ou não retornar contato com o paciente diante de agravamento do quadro clínico.

Imperícia médica

Trata-se de uma ação ou omissão caracterizável como imperícia, ou seja, executada por alguém sem o preparo técnico adequado para realizá-la. Envolve falta de conhecimento ou habilidade para realizar determinado procedimento.

Exemplo: erro grosseiro durante uma cirurgia plástica por desconhecimento da técnica correta, mesmo sendo uma operação de rotina.

Esses conceitos estão previstos no artigo 186 do Código Civil, que prevê a responsabilidade por danos causados por ação ou omissão culposa, e são reforçados pelo Código de Ética Médica, que exige do profissional o compromisso com a segurança, a técnica e o respeito ao paciente.

Para o paciente, identificar corretamente o tipo de falha na atuação médica é essencial para buscar reparação. Por isso, a análise técnica feita por um advogado especializado em direito médico é indispensável em casos de suspeita de erro.

Quais atitudes médicas podem ser consideradas imprudentes?

A imprudência médica se manifesta quando o profissional age de forma precipitada, com excesso de confiança ou sem observar os protocolos técnicos exigidos pela profissão.

Diferente da negligência (omissão) e da imperícia (falta de preparo), aqui o problema está na conduta ativa, muitas vezes impulsiva, que desconsidera os riscos envolvidos no ato médico.

Essa classificação é bastante comum nos erros médicos analisados na Justiça. A imprudência se configura, por exemplo, quando o médico adota práticas clínicas perigosas sem justificativa plausível, ou quando realiza um procedimento médico de maneira apressada, ignorando exames, laudos ou contraindicações.

Exemplos de atitudes que podem ser consideradas imprudentes:

  • Realizar cirurgia sem avaliação pré-anestésica ou sem exames indispensáveis para o procedimento;

  • Prescrever medicação de alto risco sem confirmar o histórico clínico do paciente;

  • Agir em situação de urgência sem comunicar a equipe ou sem seguir os protocolos de emergência;

  • Utilizar técnicas experimentais ou não reconhecidas, sem consentimento do paciente;

  • Manusear equipamentos de forma inadequada durante o atendimento.

Essas atitudes comprometem a qualidade do serviço médico e podem acarretar complicações graves ao paciente — como infecções, sequelas irreversíveis ou até óbito. Quando isso ocorre, a atuação do médico é analisada sob o ponto de vista da responsabilidade civil, podendo caracterizar o erro médico e gerar direito à indenização.

É importante lembrar que o resultado negativo por si só não caracteriza erro, mas a conduta imprudente — ao desrespeitar normas técnicas e colocar o paciente em risco — pode ser juridicamente responsabilizada.

Por isso, cada caso deve ser avaliado individualmente, com apoio técnico e jurídico, para determinar se o ato médico ultrapassou os limites aceitáveis da profissão.

Imprudência médica configura erro médico? Entenda o que diz a lei

Sim, a imprudência médica pode configurar um erro médico, desde que a conduta do profissional tenha sido a causa direta de um dano ao paciente.

A legislação brasileira trata o tema com seriedade, especialmente porque os resultados dessas falhas podem comprometer gravemente a saúde e a integridade física ou psicológica do paciente.

De acordo com o artigo 186 do Código Civil, qualquer ação que viole o respeito ao dever de cuidado, mesmo sem intenção, pode ser considerada um ato ilícito — especialmente quando envolve condutas imprudentes que ultrapassam os limites aceitáveis da boa prática médica. Essa mesma regra sustenta a responsabilidade profissional do médico.

O Código de Ética Médica, por sua vez, reforça que o médico deve agir com cautela, zelo, conhecimento técnico e compromisso com a vida. Quando esses princípios são desrespeitados, e a atuação imprudente leva a consequências negativas ao paciente, como sequelas ou agravamento da condição clínica, pode-se configurar o erro médico com base legal para reparação.

É importante destacar que a simples insatisfação com o tratamento médico ou com o resultado final não caracteriza, por si só, um erro. O que a lei exige é a demonstração de que houve violação de protocolos, excesso de risco ou descuido técnico no atendimento.

Por se tratar de um tema complexo, cada caso deve ser analisado com base nos documentos médicos, depoimentos e pareceres técnicos. Quando comprovado que a imprudência foi o elemento central do dano, o médico pode ser responsabilizado civilmente, com possível dever de indenizar o paciente por perdas materiais, danos morais ou até estéticos.

Por isso, contar com apoio jurídico especializado é fundamental para interpretar os elementos das práticas médicas e construir uma ação sólida que respeite o direito do paciente e o exercício ético da profissão.

Quais são os direitos do paciente vítima de imprudência médica?

O paciente que sofre as consequências de uma conduta imprudente tem direitos garantidos por lei, tanto no campo da responsabilidade civil quanto no ético-disciplinar.

A imprudência médica é uma das formas mais recorrentes de erros médicos, e quando comprovada, gera o dever de reparação por parte do médico ou da instituição responsável.

Para que haja responsabilização, é necessário comprovar que a conduta imprudente causou diretamente um prejuízo à saúde física, psicológica, funcional ou estética do paciente.

Uma vez demonstrado esse nexo de causalidade, a legislação brasileira assegura uma série de direitos à vítima.

Direitos que o paciente pode pleitear:

Indenização por dano moral

Esse tipo de reparação é voltado ao sofrimento emocional, à dor psíquica e ao impacto que a conduta imprudente provocou na vida do paciente. Pode decorrer, por exemplo, de um trauma causado por um erro grave, da perda de confiança no sistema de saúde ou de situações constrangedoras vividas após o erro médico. O valor varia conforme a extensão do abalo, o grau de culpa e o perfil da vítima.

Indenização por danos materiais

Aqui estão incluídas todas as despesas comprováveis que o paciente teve em decorrência da falha médica: novos procedimentos, exames, cirurgias corretivas, medicamentos, transporte, contratação de cuidadores e outros custos relacionados à tentativa de reversão ou mitigação do dano. Em casos graves, pode-se incluir também a perda de bens ou contratos decorrente da condição clínica gerada pelo erro.

Reparação por danos estéticos

Quando a conduta imprudente provoca sequelas físicas visíveis — como cicatrizes, deformidades, assimetrias ou outras alterações corporais —, o paciente pode pedir indenização específica por dano estético. Esse direito é autônomo em relação ao dano moral, e sua apuração leva em conta fatores como a idade da vítima, o impacto social e profissional da sequela e a possibilidade ou não de reversão.

Pensão vitalícia ou temporária

Nos casos em que o paciente sofre redução total ou parcial de sua capacidade para o trabalho, ele pode requerer uma pensão proporcional à perda funcional. Se houver incapacidade permanente, a pensão pode ser vitalícia. Em situações menos graves, mas que demandam afastamento temporário das atividades laborais, é possível obter pensão por tempo determinado, com base em laudos médicos e perícia judicial.

Direito à continuidade do tratamento médico

Caso o profissional ou a instituição reconheça o erro ou ele seja comprovado judicialmente, o paciente pode exigir que o serviço médico seja concluído sem custos adicionais. Isso inclui a obrigação de custear cirurgias corretivas, sessões de reabilitação ou tratamentos psicológicos necessários para a recuperação da vítima.

Acesso à apuração ética e disciplinar do médico

Além da via judicial, o paciente pode denunciar a conduta imprudente ao Conselho Regional de Medicina, para apuração no âmbito ético. A depender da gravidade do caso, o profissional pode receber advertência, ser suspenso ou, nos casos mais graves, ter seu registro cassado.

Em qualquer desses caminhos, o apoio de um advogado especializado em direito médico é fundamental para garantir que os direitos do paciente sejam plenamente defendidos.

Um caso de imprudência exige estratégia jurídica, análise técnica e prova documental — e só assim é possível transformar a dor em justiça.

Como o Código de Ética Médica trata casos de imprudência?

O Código de Ética Médica, instituído pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), é o principal instrumento regulador da conduta médica no Brasil.

Ele orienta os profissionais sobre os deveres técnicos, morais e humanos que devem guiar sua atuação. Entre os princípios estabelecidos, estão o dever de agir com cautela, responsabilidade e respeito à dignidade do paciente.

Nos casos de imprudência, o código é claro ao vedar atos médicos que coloquem o paciente em risco sem justificativa técnica. Isso inclui decisões precipitadas, tratamentos sem respaldo científico ou condutas que desconsiderem normas básicas de segurança. Quando uma ação imprudente resulta em erro médico, a infração ética pode ser apurada por meio de sindicância e, posteriormente, processo disciplinar.

As consequências variam conforme a gravidade do caso e a reincidência do profissional. O médico pode receber desde advertência confidencial até a cassação do registro, caso fique comprovado que sua atuação comprometeu a vida ou a saúde do paciente.

Assim, o Código não apenas orienta, mas também impõe limites claros para coibir erros decorrentes de falta de cuidado.

Qual é o papel do Conselho Federal de Medicina nesses casos?

O Conselho Federal de Medicina (CFM), juntamente com os Conselhos Regionais (CRMs), tem a função de supervisionar o exercício da medicina no Brasil.

Nos casos de erro médico, especialmente quando há indícios de imprudência, negligência ou imperícia, cabe ao CFM garantir que a conduta médica esteja de acordo com os princípios éticos da profissão.

Quando um paciente ou terceiro apresenta uma denúncia, o CRM do estado onde ocorreu o atendimento é responsável por iniciar a apuração. O papel do CFM é normativo e recursal: ele edita resoluções, como o próprio Código de Ética Médica, e analisa recursos de decisões tomadas pelos conselhos regionais.

Em situações comprovadas, o CFM pode determinar sanções administrativas ao médico, incluindo advertência, suspensão temporária e até cassação definitiva do registro profissional — medida extrema aplicada quando a responsabilidade médica está claramente configurada e os erros são graves ou reiterados.

A atuação dos conselhos, portanto, tem um papel fundamental: preservar a qualidade da assistência em saúde, proteger os pacientes de condutas inadequadas e garantir que a responsabilidade seja efetivada em casos que tenham gerado consequências sérias à vida ou à integridade física e psíquica do paciente.

Quais provas são necessárias para denunciar imprudência médica?

Para que uma denúncia de imprudência médica seja levada adiante com chances reais de responsabilização, é essencial reunir provas que comprovem o ato médico imprudente, suas consequências e o resultado danoso ao paciente. Diferente de uma insatisfação com o tratamento, a imprudência exige demonstração objetiva de que o profissional agiu com precipitação ou sem a cautela técnica necessária.

A primeira e mais importante prova é o prontuário médico completo, onde devem estar registrados todos os atendimentos, prescrições, exames solicitados, condutas adotadas e a evolução do quadro clínico. Esse documento é fundamental para entender a sequência de ações e omissões praticadas.

Além disso, podem ser utilizados como prova:

  • Exames laboratoriais e de imagem, que demonstrem o estado de saúde antes e depois do atendimento;

  • Laudos médicos independentes, emitidos por outro profissional, apontando falhas técnicas ou condutas inapropriadas;

  • Relatórios e pareceres técnicos produzidos durante o processo judicial ou administrativo;

  • Comunicados trocados com hospitais ou médicos, como e-mails e mensagens;

  • Registros fotográficos ou vídeos, nos casos de danos visíveis ou procedimentos mal conduzidos.

As provas documentais ajudam a comprovar o nexo entre o problema ocorrido e a atuação do profissional. Quando bem reunidas e interpretadas por um advogado especializado, elas fortalecem a denúncia e possibilitam a responsabilização do médico no âmbito ético, cível ou até criminal.

Quanto mais detalhada for a documentação, maiores as chances de justiça para o paciente.

Quando e como buscar um advogado especialista em erro médico?

Você deve buscar um advogado especialista em erro médico sempre que houver indícios de que um atendimento ou ato médico resultou em consequências negativas à sua saúde que poderiam ter sido evitadas.

Muitas vezes, o paciente não tem certeza se houve uma falha, mas percebe que o resultado foi muito diferente do esperado — com agravamento do quadro clínico, sequelas, dores persistentes ou necessidade de novos procedimentos.

O momento ideal para procurar auxílio jurídico é assim que surgir a suspeita. Isso evita a perda de provas importantes, como prontuários e exames, e permite uma análise mais rápida e precisa da conduta médica. Também é fundamental observar os prazos legais para ação judicial, que em muitos casos são de até cinco anos.

Como buscar esse profissional?

  1. Pesquise advogados com atuação comprovada em direito médico, especialmente aqueles que representem vítimas de erro médico.

  2. Verifique a experiência do escritório em casos similares ao seu, buscando histórico de sucesso e reputação ética.

  3. Reúna todos os documentos médicos antes da consulta: prontuários, exames, laudos, receitas e fotos, se houver.

  4. Agende uma avaliação inicial, onde o especialista fará uma análise técnica e jurídica da situação e explicará as possibilidades de ação.

Contar com um advogado experiente nesse tipo de demanda faz toda a diferença. Ele será o responsável por transformar sua dor em medidas concretas de reparação, responsabilização e, acima de tudo, justiça.

Ser vítima de uma conduta médica imprudente é mais do que enfrentar um problema de saúde — é lidar com as consequências físicas, emocionais e jurídicas de um erro que poderia ter sido evitado. Nessas situações, é fundamental saber que o paciente tem direitos garantidos por lei, e que a responsabilização do profissional é possível quando há provas e orientação adequada.

A imprudência médica configura uma das formas mais recorrentes de erro médico nos tribunais, e conhecer os caminhos para denunciá-la, buscar reparação e se proteger é essencial. Documentação adequada, compreensão do ato médico e apoio jurídico especializado formam a base de qualquer ação bem-sucedida.

Na Garrastazu Advogados, temos uma equipe com sólida experiência em direito médico e total compromisso com a defesa de pacientes lesados. Atuamos com técnica, ética e sensibilidade em casos de imprudência, negligência ou imperícia, buscando sempre a verdade, a justiça e a reparação integral do dano.

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