Divórcio no Cartório: Como Funciona e Quais São os Requisitos para um Processo Ágil e Consensual?

Cristiana Gomes Ferreira
Cristiana Ferreira Sócio
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Divórcio no Cartório: Como Funciona e Quais São os Requisitos para um Processo Ágil e Consensual?

Divórcio no Cartório: Como Funciona e Quais São os Requisitos para um Processo Ágil e Consensual?

Quando um casal decide que chegou ao fim do casamento e ambos estão em acordo sobre os termos da separação, existe um caminho jurídico que é mais rápido, mais econômico e significativamente menos desgastante do que um processo judicial: o divórcio em cartório. Regulamentado pela Lei nº 11.441/2007 e incorporado ao ordenamento pelo artigo 733 do Código de Processo Civil, o divórcio extrajudicial permite que o casamento seja dissolvido por escritura pública lavrada em tabelionato de notas, sem qualquer intervenção do Poder Judiciário. Em questão de dias, o casamento está legalmente encerrado e ambas as partes seguem em frente com suas vidas. Entender como esse processo funciona, quais são os requisitos e o que esperar em cada etapa é o objetivo deste artigo.

Divórcio Extrajudicial: O que É, Qual a Base Legal e Por que É a Opção Mais Ágil para Casais em Consenso

O divórcio extrajudicial é o procedimento pelo qual dois cônjuges que estão em consenso formalizam o encerramento do casamento diretamente em um cartório de notas, por meio de escritura pública, dispensando completamente a necessidade de processo judicial ou homologação por juiz. A escritura tem fé pública e produz efeitos imediatos: assim que ambas as partes assinam o documento, o casamento está legalmente dissolvido.

A base legal do procedimento está assentada sobre dois pilares fundamentais: a Lei nº 11.441/2007, que criou a possibilidade do divórcio administrativo no Brasil, e o artigo 733 do Código de Processo Civil de 2015, que consolidou o instituto e estabeleceu seus requisitos. Posteriormente, a Resolução CNJ nº 35/2007 e o Provimento 100 do CNJ. ampliaram e modernizaram o procedimento, tornando possível inclusive a realização do ato de forma completamente online pela plataforma e-Notariado. Para quem deseja entender mais amplamente as modalidades disponíveis, conhecer os tipos de divórcio e como escolher o melhor caminho é o ponto de partida.

Requisitos para o Divórcio em Cartório em 2026: Quais São e o que Acontece se um Deles Não For Preenchido

O divórcio extrajudicial é um procedimento elegante na sua simplicidade, mas depende do cumprimento rigoroso de alguns requisitos legais. Basta que um deles não esteja presente para que o caminho correto seja o judicial. Os requisitos são:

  1. Consenso integral entre os cônjuges O tabelião não resolve conflitos: ele formaliza acordos. Por isso, ambos os cônjuges precisam estar plenamente de acordo tanto com o divórcio em si quanto com todos os seus termos, especialmente a partilha de bens, eventual pensão alimentícia e a decisão sobre o uso do nome de casado. Qualquer ponto de divergência que não consiga ser resolvido por acordo inviabiliza o cartório e direciona o caso para a via judicial.
  2. Assistência obrigatória de advogado ou defensor público O artigo 733, §2º do CPC é categórico: o divórcio extrajudicial exige a presença de advogado ou defensor público. Esse profissional orienta as partes em cada etapa do processo, elabora a minuta da escritura, esclarece dúvidas sobre partilha e pensão e acompanha o ato perante o tabelião. O mesmo advogado pode representar ambos os cônjuges, desde que não haja conflito de interesses, ou cada parte pode ter o seu. Sem advogado, o cartório não pode lavrar a escritura. Compreender como um advogado de família pode ajudar no processo de divórcio, guarda e pensão é essencial para quem opta por esse caminho.
  3. Questões dos filhos menores resolvidas e homologadas judicialmente A regra clássica do divórcio extrajudicial exigia a ausência total de filhos menores ou incapazes. Com a Resolução CNJ nº 571/2024, esse panorama mudou: hoje é possível o divórcio em cartório mesmo quando há filhos menores, desde que todas as questões relativas a eles, como guarda, pensão alimentícia e regime de convivência, já tenham sido definidas e homologadas judicialmente com trânsito em julgado. O tema do divórcio com filhos menores tem suas próprias especificidades e merece análise cuidadosa com um especialista.
  4. Ausência de gravidez Se a cônjuge estiver grávida no momento do ato, o divórcio extrajudicial não pode ser realizado. Essa restrição existe para proteger os direitos do nascituro, reconhecidos desde a concepção pelo artigo 2º do Código Civil.

Passo a Passo do Divórcio em Cartório: Como Funciona Cada Etapa do Processo Extrajudicial

A agilidade do divórcio em cartório se traduz em um fluxo bastante enxuto. Na prática, o processo funciona assim:

Etapa 1: Consulta ao advogado especializado O ponto de partida é sempre a contratação de um advogado de família. Ele avalia se o caso preenche os requisitos para a via extrajudicial, orienta sobre a partilha dos bens, eventual pensão alimentícia e questões relativas a filhos maiores, e elabora a minuta da escritura que será apresentada ao tabelionato. Essa etapa é decisiva: uma minuta bem estruturada acelera todo o processo e evita exigências adicionais do cartório.

Etapa 2: Escolha do cartório e protocolo da documentação É livre a escolha do Cartório de Notas para a lavratura da escritura, independentemente do domicílio das partes ou do local onde o casamento foi registrado. O advogado protocola a documentação, que é analisada pelo escrevente ou pelo próprio tabelião. Cada cartório pode solicitar documentos adicionais conforme o caso, especialmente quando há bens a partilhar.

Etapa 3: Revisão da minuta Após a análise da documentação, o cartório elabora ou valida a minuta da escritura. As partes e o advogado têm a oportunidade de revisar o conteúdo antes da assinatura, verificando se todos os pontos acordados estão corretamente refletidos no documento.

Etapa 4: Assinatura da escritura Com a minuta aprovada, é marcada a data para a assinatura. As partes comparecem ao cartório com o advogado para lavrar o documento. Caso uma das partes não possa comparecer pessoalmente, pode ser representada por procurador mediante procuração pública com poderes especiais, com validade de 30 dias. O atendimento jurídico online em direito de família e o divórcio pelo e-Notariado tornaram todo esse processo acessível remotamente, com videoconferência e assinatura digital.

Etapa 5: Averbação e registro de bens Após a assinatura, a escritura precisa ser averbada no Cartório de Registro Civil onde o casamento foi registrado, para que o estado civil das partes seja atualizado para "divorciado". Se houver bens partilhados, cada bem requer o registro no órgão competente: Cartório de Registro de Imóveis para imóveis, Detran para veículos, bancos para contas e aplicações, Junta Comercial para participações societárias.

Categoria Documentos exigidos Obrigatoriedade
Documentos pessoais dos cônjuges RG e CPF de ambos; comprovante de residência; declaração de profissão e endereço Sempre obrigatório
Certidão de casamento Certidão atualizada (máx. 90 dias)Emitida pelo cartório onde o casamento foi registrado Sempre obrigatório
Pacto antenupcial Certidão de registro do pacto antenupcial, quando houver regime diverso da comunhão parcial Se aplicável
Filhos maiores Certidão de nascimento dos filhos maiores de idade; endereço e profissão de cada um Se houver filhos
Filhos menores (Res. CNJ 571/2024) Cópia da decisão judicial com trânsito em julgado definindo guarda, pensão e convivência Obrigatório se houver filhos menores
Imóveis a partilhar Certidão negativa de ônus (Cartório de RI); carnê de IPTU vigente; certidão de tributos municipais Se houver imóveis
Veículos a partilhar Documento do veículo (CRLV) e histórico de transferências (Detran) Se houver veículos
Contas, investimentos e ativos financeiros Extratos bancários; comprovantes de aplicações; extrato de FGTS se aplicável Se houver ativos
Participações societárias Contrato social atualizado; certidão da Junta Comercial ou Cartório de RCPJ Se houver cotas ou empresa
Representação por procurador Procuração pública com poderes especiais lavrada em cartórioValidade de 30 dias — necessária se uma das partes não puder comparecer Se uma parte estiver ausente
Advogado OAB, qualificação completa e assinatura na escrituraArt. 733, §2º do CPC — pode ser um único profissional para ambos Sempre obrigatório

Fontes: Lei nº 11.441/2007 · Art. 733 do CPC/2015 · Resolução CNJ nº 35/2007 · Resolução CNJ nº 571/2024 · Provimento CNJ nº 149/2023

O que Pode Ser Incluído na Escritura Pública de Divórcio: Pensão, Nome e Partilha de Bens

A escritura pública de divórcio é um instrumento bastante versátil. Além de formalizar o fim do casamento, ela pode contemplar: o pagamento de pensão alimentícia entre os cônjuges, definindo valor, periodicidade e forma de pagamento; a retomada do nome de solteiro, caso um dos cônjuges deseje voltar ao nome anterior ao casamento; e a formalização da partilha de todos os bens do casal, com a descrição de cada bem e a atribuição a cada parte.

A partilha de bens é frequentemente o ponto de maior atenção no divórcio extrajudicial, pois envolve regras que variam conforme o regime de bens adotado no casamento. Embora a lei permita que a partilha seja deixada para um momento posterior ao divórcio, a recomendação técnica é sempre resolver tudo no mesmo ato, para evitar litígios futuros e a necessidade de um novo processo. Casos que envolvam participações societárias ou divórcio com empresa merecem atenção redobrada, com avaliação técnica prévia do patrimônio. Quando existe um pacto antenupcial, ele também deve ser apresentado ao tabelião e influencia diretamente as regras da partilha.

Prazo e Custo do Divórcio Extrajudicial em Cartório em 2026: O que Esperar

Em termos de prazo, o divórcio extrajudicial é notavelmente ágil. Quando todos os documentos estão corretos e o acordo está bem definido, o tempo médio entre o protocolo da documentação e a assinatura da escritura varia entre um e sete dias úteis. Em cartórios digitais ou em situações de menor complexidade, o ato pode ser concluído no mesmo dia do pedido. Quando há filhos menores com questões homologadas a apresentar, o prazo pode se estender para até 15 dias úteis, dependendo da análise do cartório.

Quanto ao custo, o valor da escritura pública é tabelado por lei estadual e varia conforme o estado. A escritura sem partilha de bens tende a ser mais barata, enquanto a com partilha envolve o recolhimento de impostos sobre a transmissão dos bens, como o ITBI para imóveis transmitidos onerosamente, o ITCMD quando configurada a doação entre as partes, e eventualmente o Imposto de Renda sobre ganho de capital. O advogado orienta sobre quais impostos incidem em cada situação específica. No total, o custo do divórcio extrajudicial é significativamente menor do que o do divórcio judicial litigioso, especialmente quando se consideram os honorários, as custas processuais e o tempo envolvido na via judicial.

Processo Judicial em Andamento? Saiba Quando é Possível Migrar para o Divórcio Extrajudicial em Cartório

Sim, e esse é um ponto que surpreende muita gente. Se o casal abriu um processo judicial de divórcio mas, ao longo do procedimento, chegou a um acordo completo sobre todos os pontos relevantes, é possível desistir da ação judicial a qualquer momento e optar pela via extrajudicial, desde que os requisitos legais estejam preenchidos. O advogado cuida da desistência do processo judicial e conduz o procedimento no cartório. Essa é uma saída frequentemente utilizada por casais que iniciaram um divórcio litigioso mas, durante o processo, conseguiram chegar ao consenso necessário para simplificar e encerrar a questão com muito mais agilidade.

Quando o Divórcio Judicial É Obrigatório Mesmo Havendo Consenso: Casos que Impedem o Cartório

O divórcio judicial é o caminho correto quando há qualquer ponto de divergência entre os cônjuges que não possa ser resolvido por acordo: conflito sobre a partilha de algum bem, discordância sobre a guarda ou a pensão dos filhos, ou recusa de um dos cônjuges em cooperar com o processo. Também é obrigatório quando há filhos menores cujas questões ainda não foram formalizadas e homologadas judicialmente, ou quando a cônjuge está grávida no momento do ato.

Nesses cenários, o papel do advogado de família é ainda mais estratégico, pois ele conduz o processo perante a vara de família competente, busca acordos que reduzam o desgaste para todos os envolvidos e protege os direitos do cliente em cada etapa. Saber quando procurar um advogado de família pode definir o desfecho de todo o processo. Para um panorama completo, vale conhecer o guia completo sobre divórcio antes de dar o primeiro passo.

Divórcio Extrajudicial: Por que Essa Conquista Transformou o Direito de Família Brasileiro

Antes de 2007, todo e qualquer divórcio no Brasil passava obrigatoriamente pelo Poder Judiciário, consumindo anos, recursos e energia emocional de casais que, muitas vezes, já haviam chegado a um acordo completo e apenas queriam formalizar o encerramento de um capítulo de suas vidas. A criação do divórcio extrajudicial representou uma virada de paradigma: o Estado reconheceu que, quando não há conflito, não há razão para que o Judiciário seja o intermediário obrigatório de uma decisão essencialmente privada.

Hoje, somados os dados desde 2007, mais de um milhão de divórcios foram realizados em cartório no Brasil, conforme dados do Colégio Notarial do Brasil. Essa transformação continua evoluindo: a possibilidade de realizar o ato totalmente online, a ampliação para casais com filhos cujas questões já estão resolvidas e a liberdade de escolha do cartório em qualquer estado do país fazem do divórcio extrajudicial uma ferramenta jurídica cada vez mais acessível, democrática e eficiente. Para quem deseja saber por que contratar um advogado especializado em direito de família faz toda a diferença mesmo em processos aparentemente simples, a resposta está justamente nos detalhes que somente um olhar técnico consegue identificar.

A Dra. Cristiana Gomes Ferreira, doutora e mestre em Direito de Família e Sucessões, assessora casais em todos os processos de divórcio extrajudicial em cartório, desde a análise dos requisitos e a elaboração da minuta da escritura até a formalização do ato e o encaminhamento dos registros junto aos órgãos competentes, garantindo um processo ágil, seguro e que resguarde integralmente os direitos de cada parte.

Se você está considerando o divórcio e quer entender se o cartório é a via mais adequada para o seu caso, um advogado especializado em direito de família pode fazer toda a diferença. Para um atendimento especializado e para saber como um advogado pode facilitar questões pessoais e patrimoniais (direito de família na prática), visite nosso site (Garrastazu Advogados) e agende uma consulta!

Disclaimer Jurídico: As informações contidas neste blog post são de caráter meramente informativo e educacional. Elas não substituem a consulta a um profissional de direito qualificado, que poderá analisar seu caso específico e oferecer o aconselhamento jurídico adequado. Para questões relacionadas a divórcio extrajudicial, divórcio em cartório, partilha de bens e direito de família, recomendamos sempre buscar a assessoria de um advogado especializado.

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